HILLEL ITALIE da Associated Press , em Nova Iorque (EUA) Ossie Davis
O porta-voz da polícia de Miami Beach, Bobby Hernandez, disse que o neto de Davis ligou pouco antes das 7h, quando Davis não abria a porta de seu quarto no Hotel Shore Club. "Davis foi encontrado morto e não há indício que tenha sido um crime", disse Hernandez. Davis, que escreveu, atuou, dirigiu e produziu para o teatro e para a indústria cinematográfica, foi figura central entre os artistas negros por décadas. Ele e sua esposa Ruby Dee --com quem contracena em "Faça a Coisa Certa", entre outras produções-- celebraram o 50º aniversário de casamento, em 1998, com a publicação da autobiografia conjunta "In This Life Together" (Juntos Nessa Vida em inglês). A primeira aparição Davis e Dee juntos em peças foi em "Jeb" (1946) e em "Anna Lucasta" (1946-47). O primeiro filme de Davis, "No Way Out" (1950), foi a quinta produção de Dee. Ambos tiveram papéis importantes na séries de televisão "Roots: The Next Generation" (1978), "Martin Luther King: The Dream and the Drum" (1986) e “The Stand" (1994). Davis participou de vários filmes do diretor Spike Lee, incluindo "Lute Pela Coisa Certa" (1988), "Faça a Coisa Certa" (1989) e "Febre da Selva" (1991), esse dois últimos também contaram com a participação de Dee, cujo filme mais conhecido é "O Sol Tornará a Brilhar" (1961). Quando não estavam no palco ou em frente às câmeras, Davis e Dee estavam profundamente envolvidos na discussão dos direitos civis e em esforços para promover a causa dos negros da indústria do entretenimento. Eles quase foram punidos pela "caça às bruxas" anticomunista, promovida pelo senador Joseph McCarthy (1908-57) no começo dos anos 50, mas nunca foram abertamente acusados de qualquer delito. Davis dirigiu vários filmes, cujos mais conhecidos foram "Rififi no Harlem" (1970) e "Countdown at Kusini" (1976), em que também aparece com Dee. Ambos escreveram peças e roteiros e Davis havia iniciado seu novo filme na segunda-feira, disse Michael Livingston, seu agente em Hollywood. Mais velho de cinco filhos, Davis nasceu na pequena Cogdell, no estado da Georgia (EUA), em 1917 a cresceu nas imediações de Waycross e Valdosta. Ele saiu de casa em 1935, e foi para Washington de carona para ingressar na Universidade de Howard, onde estudou artes dramáticas, pretendendo ser um autor dramático. Sua carreira começou em 1939 com os Rose McClendon Players do Harlem, então o centro da cultura negra dos EUA. Ali o jovem Davis conheceu com as mais influentes figuras da causa negra da época. Ele também teve o que chamou, em seu livro, de "um flerte com a Young Communist League" [Liga dos Jovens Comunistas, em inglês]", que ele disse ter acabado com o início da Segunda Guerra Mundial. O casal foi amigo de Malcolm X e, em discurso no funeral do ativista, Davis o chamou de "nosso próprio príncipe negro radiante, que não hesitou em morrer, porque nos amava muito". Anos mais tarde, Davis repetiu sua homenagem, em off, no filme "Malcolm X" (1992), de Spike Lee. A carreira de Davis e Dee estendeu-se até o rádio, onde faziam uma miscelânea de temas dirigidos à comunidade negra no programa "The Ossie Davis and Ruby Dee Story Hour", que foi transmitido por 65 estações por quatro anos em meados da década de 70. |